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domingo, 25 de janeiro de 2009

Críticas do Leitor: E o vencedor é...


CATARINA OLIVEIRA

Mais uma edição das Críticas do Leitor passou, mas o vencedor, neste caso vencedora, não mudou. Como aconteceu na primeira edição, a Catarina Oliveira do blog Close-Up, volta a receber o prémio de Melhor Crítica. O Ante-Cinema deseja os parabéns à Catarina, e queremos agradecer também a todos os que participaram. Eram todas excelentes críticas e poderão participar outra vez quando as Críticas do Leitor voltarem a surgir brevemente.

Estando conhecido o grande vencedor, vamos então dar uma olhadela aos resultados finais. Num total de 21 votos, os resultados foram:

1. Catarina Oliveira - 8 Votos
2. Justiniano Justo - 6 Votos
3. Filipe Coutinho - 3 Votos
4. JT - 2 Votos
5. Ricardo Lisboa - 2 Votos
6. Jorge Santos - 0 Votos

Mais uma vez obrigado a todos que participaram e um muito obrigado aos que tiveram a paciência de votar.

Conforme já fora divulgado, a Catarina Oliveira leva para casa como prémio este poster:
Ante-Cinema#

sábado, 24 de janeiro de 2009

Dias de decisões...

Amanhã, às 23h59, termina o prazo para a recepção de listas dos melhores e piores filmes de 2008. O Ante-Cinema relembra a todos que ainda não enviaram as suas preferências, que o façam até ao dia de amanhã. Após o fecho da recepção de listas começará a contagem para se apurar o melhor e pior filme de 2008. Pedimos também aos nossos leitores que elegessem o filme surpresa e desilusão do ano de 2008. Para mais informações sobre esta iniciativa podem clicar AQUI. Queremos agradecer a todos que já enviaram as suas escolhas até ao momento, salientado ainda que estamos abertos para receber mais listas. Se ainda não enviaram, do que estão à espera?

Outra das decisões que está prestes a acontecer no Ante-Cinema é a eleição da melhor crítica no nosso espaço das Críticas do Leitor. Hoje terminam as votações, mais precisamente às 23h59, relembrando a todos que podem votar na vossa crítica preferida através da barra lateral direita do blog. Amanhã será anunciado o grande vencedor desta segunda edição das Críticas do Leitor. Estejam atentos.

Ante-Cinema#

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Críticas do Leitor - Apuramento da Melhor Crítica

Após uma longa maratona de especiais sobre Austrália, que começou em Dezembro e se prolongou até Janeiro, e depois de termos pedido aos nossos visitantes as suas opiniões sobre o novo filme de Baz Luhrmann, chegou agora a altura de as Críticas do Leitor conhecer um vencedor.

Esta é a segunda edição de um espaço que começou por estes lados por alturas de Novembro. Após o sucesso da primeira edição, tornava-se crucial criar uma segunda. E se a primeira foi um sucesso, que dizer desta segunda? Foram recebidas ainda mais críticas mas, infelizmente, nem todas puderam ser publicadas. No entanto, agradecemos a todos pelo envio das vossas críticas, ficando aqui prometido que brevemente as Críticas do Leitor voltarão.

Posto isto, já muitos de vocês devem conhecer as várias opiniões sobre Austrália que aqui foram apresentadas. As votações para se eleger a melhor crítica começam hoje, decorrendo até ao dia 24 de Janeiro. A recepção de votos termina às 23h59 desse dia. O grande vencedor será revelado a 25 de Janeiro.

Não se lembram de algumas críticas? Ainda não leram e querem dar agora uma vista de olhos? O Ante-Cinema apresenta em baixo todos os candidatos a receber o prémio de Melhor Crítica. Para lerem as respectivas opiniões só têm que clicar no nome da pessoa. Relembramos que o prémio para o vencedor é o poster de Jaws. Eis então os candidatos:

Jorge Santos;
Filipe Coutinho;
JT;
Justiniano Justo;
Catarina Oliveira;
Ricardo Lisboa.

Bons votos e obrigado a todos por participarem.

Ante-Cinema#

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Críticas do Leitor

A recepção de críticas sobre Austrália está oficialmente fechada. A última crítica a ser publicada no Ante-Cinema pertence ao Ricardo Lisboa (Breath Away). É, talvez, a crítica que mais elogia o recente filme de Baz Luhrmann, chegando mesmo a dar ao filme a nota máxima: 10/10. Até agora, a nota mais alta pertencia à crítica do Fifeco (9/10).
Desde já agradeço a todos por terem participado. Brevemente começará a votação para se apurar o grande vencedor desta segunda edição das Críticas do Leitor. Estejam atentos.


CRÍTICA:

Australia é a soberba formulação de cinema; mesmo que caia em clichés, em lugares comuns, em momentos gastos, tudo parece novo, vital, rejuvenescido, e Baz faz magia em forma de película, tanto através das imagens, mas principalmente através da pujança de contar uma história. Há neste filme uma ode ao cinema e a tudo o que ele significa, é um hino ao cinéfilo, ao amante da 7ª arte; é um portento.

Podem chamar-lhe uma manta de retalhos, que se perde em diferentes géneros sem escolher a forma mais correcta, podem chamar-lhe desadequado, fora de moda ou simplesmente pretensioso, mas este filme baseia-se na forma lúcida e (quase) perfeita de Luhrman pensar o cinema e para ele, cinema é isso mesmo, algo maior do que a vida, maior do que nós mesmos, larger than life, não se querem realismos frenéticos de novos cineastas com falsos documentários, quer-se força, vida, alegria e emoção, quer-se cinema no seu estado mais puro de contar uma história.

Australia não é perfeito, mas a sua coragem de arriscar, de fazer o que mais ninguém imaginava poder-se fazer, só por ser irreverente, este filme merece os nossos corações, e claro, tudo o resto fá-lo merecer a nossa aclamação.

Obrigado senhor Baz por me fazer separar do mundo, esquecer que estou dentro de uma sala de cinema e levar-me para 'a far away land'.

NOTA:
10/10 - Irreverentemente mágico

Ante-Cinema#

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Críticas do Leitor

Lembram-se da Catarina Oliveira (Close-Up)? A grande vencedora da última edição das Críticas do Leitor voltou a responder ao desafio, apresentando uma crítica bastante positiva ao filme de Baz Luhrmann.
O prazo de recepção de críticas está mesmo quase a terminar, sendo brevemente apresentados todos os participantes para se apurar o grande vencedor desta segunda edição.


CRÍTICA:

Histórias de Amor. Existem por aí aos molhos; provavelmente, mais do que qualquer outra coisa, são temática muito presente no cinema. Muitas delas são felizes, outras lamentáveis; umas são horrendas, outras são arrebatadoramente belas.

O que se adivinha sempre excepcionalmente difícil num “conto de amor cinematográfico” é encontrar a mão certa para o guiar e dirigir. Poucos realizadores têm a sensibilidade para compreender a profundidade dramática e mesmo histórica de uma paixão; saber o que toca o coração do telespectador é uma qualidade imprescindível, mas raríssima.

Apesar da curta carreira (apenas quatro filmes realizados), Baz Luhrmann já demonstrou ter o verdadeiro dom para filmar o Amor. Provas vivas são os apaixonantes Romeo + Juliet e Moulin Rouge!. Como Luhrmann poucos o fazem, e Australia é mais uma veemente confirmação.

Australia, período “pré-Guerra”, 1º acto: Lady Sarah Ashley, uma aristocrata inglesa, vê-se inesperadamente viúva e herda uma quinta, aproximadamente do tamanho do estado de Maryland. Fazendo frente a barões do gado com desejo de hegemonia e sem escrúpulos, Sarah passa por cima do orgulho e une-se a um áspero “cowboy” conhecido e admirado por muitos, Drover, para conseguir salvar as suas terras. Juntos embarcam numa atribulada e longa viagem pelas possantes paisagens australianas.

Australia, início da Segunda Guerra Mundial, 2º acto: À chegada Sarah e Drover deparam-se com outras desagradáveis surpresas: a Guerra já começou, e os japoneses que atacaram Pearl Harbor começam a bombardear a Australia.

Drama, aventura e espectáculo são os três grandes ingredientes neste visualmente deslumbrante épico ao estilo de Western. A recepção tem sido, no mínimo, variada. Há quem adore, há que fique um pouco desapontado, há quem não aprecie… eu cá gostei.

É verdade que assistir a Australia nos faz revisitar lugares antigos e já muito conhecidos: o amor entre classes diferentes, o cenário de guerra, a corrupção dos poderosos. É também verdade que, consequentemente, possamos muitas vezes prever o que acontecerá nas cenas seguintes. No entanto, não podemos negar que Luhrmann é capaz de metamorfizar estes velhotes clichés em algo singularmente belo e, em certas medidas, original, o que é justificado, em grande parte ,pela grande exuberância irresistível.

Uma coisa parece-me ser unânime: Australia é um dos filmes com melhor aspecto do ano, e sem grandes reservas, atrevo-me a dizer que pelo menos as categorias de Melhor Fotografia e Melhor Direcção Artística nos Óscares só terão 4 vagas em aberto nas nomeações. Não me quero alongar num tema tão mastigado quando se fala de Australia, mas é realmente impossível ignorar a beleza e estética das virgens paisagens e cenários Australianos, com sabiamente administrados efeitos visuais (outro dos grandes pontos fortes). Que deleite para os olhos e para a alma!

Não pude deixar de achar graça quando, ainda o filme não ia longo, a minha irmã me perguntou ao ouvido se este filme era uma comédia. Em resposta à minha irmã, não; não é uma comédia romântica. É uma história de amor com inúmeros elementos dramáticos e épicos, por vezes polvilhada com momentos mais leves e de tom cómico, para aliviar um bocadinho. E o timing é muito bom! E a protagonista da maior parte deles, Nicole Kidman, também, com cenas perfeitamente deliciosas demonstrando a verdadeira natureza de Sarah: uma boa pessoa muito sofisticada, mas desajeitada em várias das suas “tarefas” ao longo da fita.

Talvez este não seja “o grande regresso” por que muitos esperam de Nicole Kidman, até porque Sarah Ashley, apesar de francamente boa, não é uma GRANDE personagem; no entanto, Kidman fez tudo o que podia e fê-lo com classe e grande talento. Gostei sinceramente do que vi e não acredito por um segundo que esta grande actriz, uma das melhores da sua geração, tenha perdido a chama. Uma vénia à interpretação versátil e de qualidade!

O seu par, Jackman, é um homem de carisma, e uma vez mais demonstra-o num papel ensopado de masculinidade. A química entre os dois é visível, e acredito que a sua história de amor, simples mas poderosa, se aguentava nas próprias pernas se fosse necessário.

Os restantes secundários têm tudo no sítio, tanto os “Maus” como os “Bons” ficando aqui a nota muito positiva para o jovem Brandon Walters, o “mestiço” Nullah que acaba por pisar o mesmo patamar que os dois protagonistas. Atenção a esta estrelinha em ascensão!

Com praticamente duas horas e meia, Australia acaba por ser um pouco longo demais, talvez por ter tantas coisas a acontecer ao mesmo tempo. Por vezes, deixa-se engolir pela sua própria grandeza tendo momentos dispersos ou até um pouco desconexos. Nunca chega a ser tão absorvente como outros romances em cenários de Guerra, como por exemplo o recente Atonement.

Todavia, Australia é uma autêntica elevação do belo, à qual se juntam elementos técnicos irrepreensíveis e uma simples mas intensa e verdadeira história de amor. Épicos como estes já não se fazem muito, e como representante do género, Australia não envergonha ninguém, antes pelo contrário.

NOTA: 8/10

Ante-Cinema#

Críticas do Leitor

Eis a quarta crítica desta segunda edição das Críticas do Leitor. Depois do Jorge Santos, Filipe Coutinho e JT, agora é a vez da opinião de Justiniano Justo se fazer ouvir. Como vão poder reparar após a leitura desta crítica, muitos pontos negativos são apontados, logo, a sua opinião sobre o filme acaba por ser bastante negativa.


CRÍTICA:

Imaginem-se no dia 24 de Dezembro às 23h59. À vossa frente, debaixo do pinheiro de Natal, amontoam-se umas belas e apetecíveis caixas embrulhadas num papel reluzente e adornadas com uns laços pomposamente penteados. Ao lado encontra-se uma modesta caixa de pequenas dimensões com um embrulho perfeitamente banal. Obviamente que se vão sentir atraídos pelos embrulhos mais espalhafatosos. É natural. É humano.

Agora imaginem que nessas caixas tão grandiosas estão escondidos uns pares de meias horrendas. Há um minuto de glória em que aquelas meias foram um telemóvel de última geração e em que se imaginaram a tirar fotografias com a nova câmara fotográfica de não-sei-quantos megapíxeis. Mas a verdade é que no minuto seguinte o embrulho vai ser rasgado e imediatamente esquecido e o que conta a partir daquele instante é o padrão horrível das meias.

Baz Luhrmann tem um jeito do caraças para fazer embrulhos. Isso é inegável. À primeira vista, em Australia tudo brilha mais do que o habitual. A fotografia, o guarda-roupa, o elenco, tudo parece invocar uma epicidade de outros tempos. O realizador australiano quis transportar para a sua terra Natal a magia do cinema de outros tempos e não se poupou a esforços. Não é à toa que uma das músicas do Wizard of Oz é o leit motiv do filme, nem é à toa que a magia é uma entidade omnipresente ao longo da obra (chegando mesmo a resolver uma ou outra situação mais aguda).

Luhrmann quis juntar no mesmo filme Out of Africa, Gone with the Wind, Doctor Zhivago e outros tantos filmes que fizeram sonhar gerações. E mais ainda: quis homenagear esses mesmos filmes e ao mesmo tempo criar algo fresco.

Infelizmente a tarefa hercúlea a que se propôs ficou-se pelas intenções. Sim, a homenagem é notória mas insatisfatoriamente superficial. Voltando à metáfora inicial, é como se Luhrmann oferecesse roupa interior embrulhada com o mesmo papel em que foi embrulhado, no ano anterior, um colar de diamantes e se justificasse dizendo que queria homenagear os diamantes.

Da mesma forma que isso nos valeria uns valentes insultos, este filme não funciona. E não funciona por uma razão muito simples: não há em Australia um guião ao nível dos meios tecnológicos disponíveis. A estória é simples e desconexa e as personagens são meros arquétipos. Sombras de um Clark Gable ou de uma Vivien Leigh, sem um pingo de química. Tanto Hugh Jackman como Nicole Kidman tinham mais do que talento para nos presentearem como um casal capaz de ficar para a história do cinema. Mas para isso precisavam de material com que pudessem trabalhar e não de um guião que lhes exigisse mudanças radicais de personalidade ao sabor do vento só para desencravar a narrativa.

No final fica a sensação de se terem visto dois filmes diferentes e uma imensa desilusão.

Nota:
**

Ante-Cinema#

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Críticas do Leitor

Esta é a terceira crítica da segunda edição das Críticas do Leitor. Escrita pelo JT (Portal Cinema), esta apresenta alguns pontos muito interessantes, nomeadamente, algumas reflexões sobre o próprio conceito do filme e de que maneira este deve ser encarado. Apesar de falar em vários pontos negativos, apresenta ainda algumas referências positivas.


CRÍTICA:

Antes de iniciar a minha análise a este “Australia”, gostaria de abordar uma questão que há muito tempo me incomoda e que com o aparecimento deste filme voltou a ser discutida. No mundo da sétima arte, um épico é tido como um género cinematográfico, uma classificação autónoma para aquele tipo de filmes que retrata de forma soberba e praticamente poética, as valorosas histórias de um determinado herói ou povo. Um épico é portanto uma epopeia cinematográfica que nos dá a conhecer, sem grandes preocupações por histórias secundárias, a vida e as aventuras de um determinado herói ou povo heróico. Obras como “Ben-Hur”, “Lawrence of Arabia”, “Gandhi” ou “Spartacus” podem e devem ser classificadas como épicas, porque é esse o seu género cinematográfico.

Actualmente, o termo épico também é aplicado a grandes Blockbusters ou a grandes obras da sétima arte como “Titanic”, “Lord of The Rings”, “Apocalypse Now”, “The Godfather”, “Gone With The Wind”, "Casablanca”, “Schindler’s List”, “Citizen Kane” ou “2001: A Space Odyssey”. É verdade que todos estes filmes apresentam uma qualidade extraordinária mas também é verdade que de um ponto de vista formal, não tem absolutamente nada a ver com um épico. Podem ser obras que apresentaram um épico orçamento ou uma épica qualidade gráfica mas no fundo, não passam de simples dramas ou aventuras que não estão, nem podem ser enquadradas no particular género épico.

Entendo perfeitamente que a utilização do termo “épico” na classificação destes filmes, sirva apenas para aclamar a grande qualidade da obra ou para honrar o grande impacto que teve junto do público, por isso se diz que “Titanic” é um dos maiores épicos românticos porque na realidade é uma das maiores histórias românticas da sétima arte, no entanto está classificado como um Drama e não como um Épico. Nestas situações, compreendo perfeitamente se utilizarem o termo “épico” como adjectivo para salientar a qualidade e não como meio de qualificação cinematográfica.

Exposta a minha opinião sobre a utilização do termo “épico”, resta-me contestar severamente todos aqueles que classifiquem este “Australia” como épico romântico. Como já referi, só podem ser qualitativamente épicos, aqueles filmes que apresentem uma qualidade extraordinária em todos os campos. Algo que definitivamente não acontece neste “Australia” que para além de uma épica duração (165 Minutos) e de uns excelentes aspectos técnicos ligados à imagem, não nos apresenta mais nenhum ponto de grande qualidade.

Este dito épico romântico, conta-nos a história de uma aristocrata inglesa chamada Lady Sarah Ashley (Nicole Kidman), cujo marido, desesperado por arranjar dinheiro, passou o último ano na Austrália para preparar a venda do seu último bem material, uma quinta de gado do tamanho de uma pequena cidade, chamada “Faraway Downs”. Suspeitando dos seus planos, Sarah viaja num hidroavião para este continente longínquo, com destino à tropical e remota Darwin, para tomar as rédeas do assunto. No entanto, ela é recebida, não pelo seu marido mas sim por um rude e mal-educado vaqueiro, apenas conhecido como Drover (Hugh Jackman). Na viagem por terra para Faraway Downs, Sara e o vaqueiro revelam uma profunda e mútua antipatia entre si. Após uma inesperada mudança nos acontecimentos, Nullah (Brandon Walters), uma encantadora criança aborígene, surge de repente na vida de Sarah. Este revela-lhe que nem tudo é o que parece e fá-la percebe que o cruel responsável pela quinta, Neil Fletcher (David Wenham) tem uma parceria secreta com o maior proprietário de gado, King Carney (Bryan Brown) e juntos conspiram para ficar com as suas terras. Para salvar Faraway Downs, Sarah tem que unir forças com Drover e levar várias centenas de cabeças de gado através do idílico, porém impiedoso, norte australiano. Para além de Nullah, junta-se a esta sua missão, um grupo de inadaptados da quinta, incluindo o contabilista alcoólico, os dois pastores aborígenes, a empregada doméstica aborígene e o cozinheiro chinês Sing Song (Yuen Wah). Durante a intrépida viagem, Sarah é transformada pelo poder e pela beleza do continente mais antigo do mundo, encontrando romance na paisagem, paixão no condutor de gado e amor maternal em Nullah. Mas, quando a segunda guerra mundial chega finalmente à costa da Austrália pelas mãos do Império Japonês, esta invulgar família é separada. Agora Sarah, Drover e Nullah têm que lutar para se reencontrarem no meio da tragédia e caos dos bombardeamentos japoneses a Darwin.

Apesar de terem histórias completamente diferentes, sinto que a comparação entre “Australia “ e “Pearl Harbor” é inevitável. Na altura do seu lançamento, “Pearl Harbor” era tido como um dos grandes filmes do ano (mas os seus responsáveis tiveram o bom senso de não lhe chamar épico romântico), no entanto após o seu lançamento, o filme foi atacado pela critica por ser demasiado longo e por nos contar uma história pouco original que era acompanhada por maus diálogos, na altura nem os efeitos especiais presentes nas magníficas sequencias de acção do ataque a Pearl Harbor, salvaram o filme da nota negativa. Seria de esperar que após esta fatídica vitima, mais nenhum realizador cometesse os mesmos erros grosseiros que Michael Bay mas passados sete anos, o cineasta australiano Baz Luhrmann apresenta-nos “Australia”, um filme que no inicio do ano era apontado como uma das maiores obras de 2008 mas que após o seu lançamento, caiu em desgraça e ficou completamente arredado da luta pelos principais Óscares. Tal como “Pearl Harbor”, o filme é exageradamente longo e conta-nos uma história pouco original e maçadora que não consegue ser salva pelas magníficas paisagens australianas, nem pelos grandes efeitos especiais utilizados na sequência de acção do ataque japonês a Darwin.

Um dos maiores problemas do argumento de “Australia” é a sua inconsistência. No inicio do filme, estamos perante uma típica história romântica que engloba todos os típicos clichés deste género, senão vejamos, uma rapariga de classe conhece um rapaz do povo que rapidamente aprende a odiar, no entanto com o passar do tempo, o rapaz ajuda a rapariga numa situação difícil e os dois começam a conhecer-se melhor, o que leva a uma paixão incontrolável. Ora esta linha de pensamento romântico, está presente em várias romances literários e cinematográficos e até uma criança o acharia pouco inovador já que durante anos, este foi o lema “romântico” de várias obras animadas da Disney como “Beauty & The Beast”, “Aladdin”, “Pocahontas” ou “Hercules”. Com o desenrolar do argumento, começamos a entrar no mundo dos Westerns onde vemos as terras australianas como um lugar de anarquia e perigo constante, onde os homens são verdadeiros selvagens e as mulheres autênticas donzelas indefesas. Depois, com a chegada dos japoneses e da 2º Guerra Mundial, entramos nas fantásticas e vertiginosas sequências de acção e após essa grande confusão, iniciamos uma aventura dramática em busca do previsível e emocionante reencontro. Ora como se pode constatar, em separado este “Australia” poderia ter dados uns bons cinco filmes mas em conjunto dá uma gigantesca e enfadonha trapalhada.

O romance entre Sarah e Drover é muito pouco original e é acompanhado por diálogos e situações previsíveis que não nos apresentam nenhum twist interessante que lhe possa dar mais vida e intensidade. Também a relação pseudo-maternal que Sarah começa a desenvolver pelo jovem Nullah, roça o ridículo por estar tão mal construída e desenvolvida. Na minha opinião, com bastantes cortes extensivos (entre eles o da personagem Nullah) e com um pouco mais de originalidade no romance entre Sarah e Drover, “Australia” poderia ter contado em 90 minutos uma excelente e grandiosa história que poderia ter rivalizado com os grandes filmes dramáticos de 2008.

No campo visual, o filme apresenta uma qualidade inegável que certamente será reconhecida pela Academia. A fotografia das paisagens australianas é belíssima e os efeitos especiais utilizados nas sequências de acção também roçam uma nota excelente.

Uma falha inesperada de “Australia” foi o seu elenco, já que o par romântico do filme, composto por Hugh Jackman e Nicole Kidman, não obteve a química esperada no grande ecrã. Em separado estes actores até nos apresentaram uma boa performance, mas quando se juntam na mesma cena o resultado é desastroso, seria de esperar mais entrega e realismo de dois actores bastante profissionais. O elenco secundário é meramente razoável, não havendo nenhum actor que se destaque claramente pela positiva.

Em suma, penso que Baz Luhrmann tentou fazer deste “Australia” algo que ele nunca foi nem nunca poderia ser, um épico incontestável do cinema moderno. Este cineasta australiano levou a sua ideia até ao extremo para nos apresentar uma obra exageradamente longa sem nenhuma justificação válida. O argumento é pouco original porque nos apresenta ideias recicladas de grandes clássicos de diferentes géneros que se limitaram a ser transpostas e adaptadas a esta história.

Nota:
***

Ante-Cinema#

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Críticas do Leitor - E o Grande Prémio será...

POSTER DE JAWS (1975)
(Steven Spielberg)

Chegou agora a vez de conhecerem a melhor parte das Críticas do Leitor. Para além de divulgarmos as melhores críticas dos nossos leitores, no final, teremos ainda uma votação para eleger a Melhor Crítica sobre Austrália. Ao apurar-se o grande vencedor desta segunda edição, este receberá o magnífico poster de Jaws, um dos grandes clássicos de Steven Spielberg. Espero que o prémio vos agrade e que, acima de tudo, incentive alguns indecisos que ainda não tenham enviado as suas críticas. Como o devem fazer...? É só enviar para o email ante.cinema@gmail.com.

Ante-Cinema#

Críticas do Leitor

O Ante-Cinema apresenta mais uma crítica de um dos nossos leitores. Esta foi escrita pelo Filipe Coutinho (Cinema is my Life), e expressa um claro contentamento com o filme realizado por Baz Luhrmann. A sua nota é prova disso: 9/10. É, até ver, a crítica mais positiva relativamente a Austrália.


CRÍTICA:

Um épico à moda antiga


Antes de iniciar a crítica ao mais recente, e extremamente aguardado, filme de Baz Luhrmann, devo explicar o facto de apresentar, a uma data tão distante da estreia nas salas dos nossos cinemas, uma apreciação ao mesmo. Facto é que não me dediquei à pirataria nem enveredei na compra de um DVD ilegal. Apenas tive a extrema felicidade de poder assistir a um visionamento para a imprensa. Certo é que não sou jornalista, longe disso, mas visto que a oportunidade surgiu, há que aproveitá-la. Assim, e indo direito ao assunto, aquilo que o leitor realmente quer saber, posso dizer que "Australia" não é uma desilusão, pelo menos quanto ao que eu estava à espera. Se por um lado, após a visualização, pode haver um ligeiro dissabor porque não é tão grandioso quanto "Gone With the Wind", por outro rapidamente me apercebi que os tempos são outros, a magia é distinta e o cinema urge por novas ideias. Ora, se pensarmos bem, que melhor realizador para isso do que o próprio Luhrmann? Assim, e mantendo essa ideia bem patente no meu consciente, procedi a uma revisão mental do que acabava de visualizar. Realmente, não lhe posso atribuir a pontução máxima já que fica a uns metros de distância de outros épicos como aquele mencionado supra, magistralmente protagonizado por Vivian Leigh e Clark Gable.

Por falar em interpretações, devo mencionar que, em "Australia", todas elas são perfeitas, verdadeiramente perfeitas. Há quem já aclame Hugh Jackman como o novo Clint Eastwood devido à sua extrema masculinidade que, como se pode ler na Prémiere, "transpira-a a cada poro". Segundo consta, Russel Crowe rejeitou o papel de Drover por considerar que não trabalha por caridade para um grande estúdio. Apoia o cinema independente e por ele fará sacrifícios. Hum, qual terá sido o seu cachet em "Body of Lies"? Assim, o papel principal ficou imediatamente disponível para Jackman que era apontado como David Wenham, um proprietários sem qualquer tipo de escrúpulos. Como é óbvio, este não pensou duas vezes, afirmando "este é mesmo, o directo, clássico, tradicional papel de protagonista pelo qual sempre esperarei". E diga-se, ainda bem que o fado tem destas coisas. Depois há a mítica Nicole Kidman que desde "Moulin Rouge" não tem tido uma carreira brilhante. Honestamente, deiscordo de uma grande parte dos críticos quando a acusam de falta de talento e/ou veracidade na interpretação. Esta senhora é, em tudo, fabulosa e estonteante. Além do mais, a sua química com o protagonista é tão credível quanto emocionante. É digna da mais alta das honras e, espero, honestamente, que regresse aos grandes papéis. Arriscarei a comparação dizendo que até está ao nível de Vivian Leigh. Injusto? Vejam e decidam. Ora, falta mencionar aquele que é a maior surpresa deste ano, o jovem Brandon Walters e a sua actuação do tamanho do mundo. Nunca pensei ver tamanho empenho vindo de um ser tão pequeno (sem inferir qualquer tipo de insulto) ou tamanho realismo de uns olhos que espelham o rosto de um país fabuloso. Uma nomeação para "Melhor Actor Secundário" ficava muito bem no seu currículo. Por fim, se bem que todo o elenco é imaculado, queria referir David Wenham cujo papel de vilão assenta-lhe que nem uma luva. A sua criação é louvável bem como todo o seu trabalho de preparação para a fita.

E agora chegamos ao ponto mais alto do filme. Inevitavelmente, a fotografia. Entra directamente para a história do cinema. Não é por acaso que foram precisos cerca de nove meses para a terminar. Esta ficou a cargo da experiente Mandy Walker, que já havia sido fortemente distinguida pelos seus trabalhos anteriores. Um exemplo desse facto é o controverso "Moulin Rouge". E aqui reside o tronco comum face à opinião da crítica. Independentemente da opinião de cada individuo, é claramente unânime que o trabalho de fotografia é perfeito. A realização de Baz é excelente a muitos níveis. No entanto, peca, como disse Fernando Ribeiro (Ante-Cinema), pelo exagero a nível visual. Apesar do delírio, torna-se, por vezes, incómodo. No entanto, percebe-se a sua paixão pelo projecto, sobretudo sendo Austrália a sua terra mãe. O argumento foi escrito a quatro mãos se bem que a ideia partiu do realizador. De qualquer forma, destacam-se os nomes de Ronald Harwood, Stuart Beattie, Richard Flanagan e o próprio Luhrmann. Este é dotado de muita coesão realizando uma clara homenagem aos épicos da época de ouro de Hollywood. Também a sonoplastia vinga no mundo da sonoridade concebendo uma tensão enorme à tragédia e aos momentos melodramáticos. A duração parece-me apropriada, ou seja, os 165 minutos proporcionam a noção de "acabámos de viver uma grande aventura" e é mesmo esse um dos significados do que realmente é o cinema.

Existe, também, uma forte referência a "Wizard of Oz", fita de 1939 protagonizada por Judy Garland e, em especial, à belíssima canção "Somewhere Over the Rainbow" que é detentora de uma enorme importância no decorrer de toda a fita. E que bem que fica. Até dá para trautear a música aquando da saída da sala. A título de curiosidade, Heath Ledger teve direito a um casting mas acabou por rejeitar devido ao seu papel em "The Dark Knight". Concluindo, poder-se-á afirmar que os cerca de 150 milhões de dólares australianos foram bem gastos e ainda bem que o projecto foi financiado. O visual, apesar de exagerado em certas situações como mencionado supra, é estrondoso e é maravilhoso observar uma Autrália em construção. À fita, atribuo-lhe o 9 em 10 ou as quatro estrelas (e meia) entre as cinco possíveis. Este facto prende-se com a caomparação face a outros épicos. No entanto, ainda irei visualizar a obra de Baz brevemente em cinema e quando o fizer, aqui informarei se mudei ou não de opinião. Entretanto, aconselho vivamente a todos os leitores que a visualizem. Arrisca-se a tornar-se uma obra de referência em um futura próximo.

A Frase:
"Just because it is, doesn't mean it should be."

Ante-Cinema#

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Críticas do Leitor

Para começar esta segunda edição das Críticas do Leitor, o Ante-Cinema apresenta a crítica do Jorge Santos. Conforme foi pedido a todos os leitores, alguns começam já a enviar as suas opiniões sobre Austrália. O filme tem dividido várias pessoas e esta crítica do Jorge é prova disso, salientando alguns pontos positivos como negativos.
A recepção de críticas está aberta desde sexta-feira e caso ainda não as tenham mandado mas querem vê-las aqui publicadas, só têm que as enviar para o nosso email ante.cinema@gmail.com.


CRÍTICA:

Faz muito tempo que não se fazia um filme deste género, uma espécie de E TUDO O VENTO LEVOU, romântico e de pretensões épicas. Mas nem sempre as coisas são aquilo que se deseja.

Este novo filme de Baz Luhrmann (de quem adoro o STRICTLY BALLROOM) conta-nos a história de uma inglesa da alta sociedade que parte para a Austrália com o fim de trazer o marido de volta. Uma vez chegada, descobre que o marido acabou de ser assassinado e cabe a ela, com a ajuda de um rude cowboy e de um miúdo mestiço, fazer frente aos maus da fita e salvar o seu rancho.

O grande problema deste filme é querer ser várias coisas ao mesmo tempo, com vários episódios que podiam ser por si só assunto para um filme. Começa em tom de comédia, passa a western com contornos de aventura mística, transforma-se numa história de amor e termina como filme de guerra. Não que tudo isto seja mau, na realidade não o é, mas o filme precisava de uma história mais focada num ou dois desses assuntos.

Nicole Kidman está em forma e dá-nos uma das suas melhores e mais versáteis interpretações (adorei a cena em que ela canta o “Over the Rainbow”), a seu lado Hugh Jackman (recentemente considerado, e muito bem, o homem mais sexy do mundo) é um verdadeiro herói masculino na linha de Clark Gable e convence em todas as frentes. O restante elenco vive convincentemente as suas personagens e Brandon Walters, com seus grandes e expressivos olhos, é uma revelação como o pequeno Nullah.

Luhrmann deve adorar os grandes clássicos e este filme é sem dúvida a sua homenagem às grandes produções que se faziam na época dourada de Hollywood. Os cenários são por vezes deliciosamente artificiais e outras vezes ele filma as paisagens australianas com paixão e grandiosidade. A música é boa, mas irritou-me que por diversas vezes a mesma se sobrepusesse à acção. Mas no todo é um bom filme, que se segue com interesse e alguma emoção.

Nota:
***

Ante-Cinema#

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Críticas do Leitor

Já viram Austrália e gostavam de ver a vossa crítica publicada no Ante-Cinema? Têm agora essa oportunidade.

As Críticas do Leitor vão voltar. Devido ao sucesso da primeira edição, onde Quantum of Solace foi o filme que recebeu honras de abertura, chegou agora a vez de saber as opiniões dos nossos leitores sobre Austrália. Sendo assim, a única coisa que têm de fazer é enviar as vossas críticas para o email ante.cinema@gmail.com, e as melhores serão publicadas. No fim das publicações será feita uma votação para se apurar o grande vencedor. Quem ganhar receberá um prémio ainda a designar.

O novo filme de Baz Luhrmann estreou esta quinta-feira em Portugal com o total apoio do Ante-Cinema.

Boas críticas!



Ante-Cinema#

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Críticas do Leitor - E o vencedor é...


CATARINA OLIVEIRA

Muitos Parabéns à Catarina que é assim a primeira grande vencedora deste novo espaço do Ante-Cinema. Num total de 22 votantes, ela arrecadou 45 % das preferências, ou seja, 10 votos. No segundo lugar ficou o Filipe Coutinho, adquirindo 6 votações dos nossos leitores. A seguir vem o João Bizarro com 4 votos e depois o Daniel Silva com 2. Por último, o Jorge Santos acabou por não arrecadar nenhum voto.

Estando apresentado os resultados, vem agora a melhor parte. Como sabem, tinha referido que existiria uma recompensa para o grande vencedor. A Catarina tem assim reservado um prémio no próximo passatempo do Ante-Cinema, que digo-vos, vai ser algo em grande. Brevemente será revelado o filme, por isso, Catarina e todos os leitores, fiquem atentos aos próximos dias.

Por fim, quero só acrescentar que as Críticas do Leitor irão voltar brevemente. Para saberem qual será o filme, fiquem atentos. Obrigado a todos pelas participações.

Fernando Ribeiro
Ante-Cinema#

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Críticas do Leitor - Apuramento da Melhor Crítica

Estando publicadas todas as críticas de alguns dos leitores do Ante-Cinema a 'Quantum of Solace', chegou a hora de decidir quem será o primeiro grande vencedor deste nosso novo espaço. Para determinar a melhor crítica, achei por bem serem os leitores a escolher uma vez que este espaço é dedicado a todos vocês. Sendo assim, as votações estão abertas até ao próximo dia 26 de Novembro. Para relembrar as críticas de cada um, encontram-se em baixo todos os links de cada uma. Os autores são: Catarina Oliveira, Jorge Santos, Filipe Coutinho, Daniel Silva e João Bizarro.

Devo agora agradecer a todos pelo envio destas excelentes opiniões, ficando aqui prometido que este espaço voltará muito brevemente. Devo ainda relembrar que o vencedor terá um prémio a anunciar durante a próxima semana. Agora dependendo das vossas escolhas, bons votos!


Fernando Ribeiro

Ante-Cinema#

Críticas do Leitor

Aqui está a última crítica referente a 'Quantum of Solace'. Esta foi escrita pelo João Bizarro (Cantinho das Artes). Estando seleccionadas todas as críticas para publicação, vem agora a última fase: o apuramento da melhor. A crítica do João em baixo.

CRÍTICA:

Ao 22º filme de Bond, James Bond eis a primeira sequela. De facto Quantum of Solace funciona como continuação do brilhante Casino Royale. Bond (2ª vez de Daniel Craig) está determinado a descobrir quem levou Vesper Lynd a trai-lo. As pistas levam-no até uma organização eco-terroristas liderada pelo sinistro Dominc Green (Mathieu Amalric) e a conhecer a bela Camille (Olga Kurylenko), também ela à procura de vingança.

Já haviamos percebido no filme anterior que este Bond anda mais no fio da navalha, escapa da morte por um triz , e leva porrada como gente grande (se ele fica assim como ficarão os outros - em relação a isto M (Judi Dench) pede-lhe várias vezes para deixar alguém vivo), embebeda-se com elaboradas bebidas que ele não sabe o que são mas no fundo não passam do mítico vodka martini shaken, not stirred.
Algumas referências a anteriores filmes Bond, principalmente aos da fase Sean Connery, desta vez com uma evidente a Goldfinger. Quem não se lembra de Shirley Eaton, morta em cima de uma cama e banhada em ouro? Desta vez o ouro é substituido por petróleo!

Gosto deste Bond, gostei do filme e a realização de Marc Forster é bastante competente, apesar de pisar uma área a que não estava habituado. Monster's Ball, Finding NeverLand e The Kite Runner foram os seus filmes anteriores, e que filmes.
Referência final para a falta que sinto de um ou dois gadgets do Q e para a musica deste filme, uma das melhores Bond-songs já feitas.
E pronto, venha de lá o Bond 23, de preferência com Daniel Craig que depois da vitória de Obama já veio dizer que se podia fazer um filme com um Bond negro. Aceitam-se apostas para a escolha desse actor!

Nota: 9/10

Esta crítica pode ser lida na íntegra em Cantinho das Artes

Ante-Cinema#

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Críticas do Leitor

Aqui está a crítica de mais um leitor a 'Quantum of Solace'. Esta é a penúltima a ser publicada, estando reservado para amanhã a última. Escrita por Daniel Silva (O Observador), é mais uma opinião positiva ao filme realizado por Marc Forster. A crítica em baixo.


CRÍTICA:

Há muita coisa a dizer sobre este filme, mas não sei se sou capaz de as dizer todas nesta revisão do 22º capítulo da saga Bourne, James Bourne, ups, ups. Bond, James Bond. Erro meu, peço desculpa, não sei como fui confundir estas duas tão distintas sagas (sentido sarcasmo a apitar, pi pi pi)...

Pronto, muito bem, como já devem ter reparado, e atirando agora os sarcamos e as ironias para canto, comparei a saga Bond e a saga Bourne por razões óbvias. Pelo menos, para quem já visionou ambas as sagas saberá de que estou a falar e mais à frente refiro o porquê.

Este 007 encarnando na perfeição pelo intenso e feito-para-o-papel Daniel Craig, é uma encarnação totalmente inédita e nova na saga. E encaixa no glamour e estilo habitual do Bond, perguntam vocês? Eu digo que dado o contexto, este filme tem toda a razão de ser como é e de ter sido feito como foi, ora portanto, encaixa!

"Quantum of Solace" é a primeira sequela directa de um capítulo antecessor da saga. Retomando os acontecimentos de "Casino Royale", o filme começa com uma excitante perseguição de carros. Com Bond a conduzir o seu Aston Martin e com um olhar intenso e frio de quem controla sempre a situação, mesmo quando está em clara desvantagem, ou a levar das boas, este é, claramente, o mais frio, calculista, intenso e vingativo Bond de sempre e porquê que é assim? Porque no filme anterior o seu coração foi estilhaçado pela primeira mulher que alguma vez amou, como queríamos nós uma sequela directa sem querer um Bond vazio ou digamos antes, repleto de raiva e com dificuldades em fazer o seu trabalho sem misturar os assuntos pessoais, que tanto o atormentam e não o deixam dormir? Impossível!

Consumido pela raiva e dor, Bond, após se ter livrado dos seus perseguidores e ter parado o seu carro, abre a mala e lá encontra-se "Mr. White". Entra o tema oficial. E assim começa o filme. Bond irá ao logo de pouco mais de 1h30m, perseguir uma perigosa organização de seu nome "Quantum", que tenciona dominar os recursos naturais do planeta, nomeadamente a água, enquanto procura a vingança pela perda da mulher que amou. Numa missão claramente pessoal...
Ao ser tomada a decisão de seguir os acontecimentos do filme anterior, era necessário ter um Bond assim mesmo! Muitas pessoas falam da falta de glamour, de charme e até de um lado mais humano. Falam da falta deste Bond ser o habitual James Bond! Mas para mim, ficou claramente demonstrado que este Bond é do mais humano que já vimos! Ao ficar tão enraivecido e destroçado com a perda de Vesper, este demonstrou que é um homem que ama e que tem sentimentos!

Este filme é o mais curto da história da saga e repleto de todos os tipos de acção! Desde a estonteante perseguição de carros logo a abrir, até uma perseguição marítima e acção nos ares há. Acreditem há mesmo de tudo! O "estilo trator" de Daniel Craig, em "Casino Royale" é substituído por um "estilo mais pantera" neste "Quantum of solace". Até Bond perdeu massa muscular (ao que parece não de propósito) apresentando-se mais magro, o que até encaixa bem neste filme! Os diálogos mais ricos do filme anterior, são substituídos por diálogos mais curtos neste. Bond não está para muitas falas e apresenta-se como um homem atormentado, que não dorme bem ou nem dorme por completo. Os cenários mais coloridos e estilosos de Casino, são substituídos por cenários mais "secos", com tons mais escuros.

Tudo isto para concluir, "Quantum of Solace" não quer ser "Casino Royale", nem lhe copia o estilo, nem tenta superar o seu antecessor! Decisão sábia na minha opinião! Este filme era uma história que precisava de ser contada! É, como li algures, uma extensa nota de rodapé do filme anterior! É como aquele capítulo de um livro policial que andamos a ler, que tem poucas páginas, mas é intenso como um bombardeamento! É uma parte da história que mostra o crescimento da personagem, e acredito que no próximo capítulo já teremos um Bond sem fantasmas, teremos um Bond, James Bond.

Mas não confundam o que estou a querer dizer, achei que precisava de escrever o que escrevi antes, porque muita gente parece se ter esquecido que estamos perante uma sequela directa e saliento o directa! Ou seja, o Bond que nos foi presenteado tinha que ser exactamente o que foi! Isto não significa que tenha gostado imenso do filme. Gostei, mas não achei nada de especial! Os efeitos de "WOW" do último filme, foram substituídos por uma história algo desconcertante e até confusa e uma câmara muito agitada e mexida nas cenas de acção, o que me fez alguma confusão... Ah e as cenas de acção tiveram muito de Jason Bourne (isto ficou bem patente em quase todas as cenas de acção), algo que não me deixa chateado, acho que com Daniel Craig como Bond, essas mesmas cenas funcionam na perfeição!!

Em relação às outras personagens, achei que Judi Dench esteve ao seu grande nível de novo como "M" e Mathieu Amalric como "Dominic Greene", membro da organização "Quantum", também esteve em bom plano. Em relação às incontornáveis "Bond Girls", Olga Kurylenko não me convenceu! Achei que a sua personagem não foi bem explorada, muito provavelmente não havia o que explorar, mas depois de uma "Bond Girl" tão bem caracterizada por Eva Green no filme anterior (noutro contexto e história é verdade), a fasquia estava demasiado alta e não fiquei convencido...

Concluindo, este 22º capítulo da saga tinha, na minha opinião, de ter estes contornos. Esta história podia ter sido contada de uma forma diferente e menos confusa? Sim, talvez! Mas não foi e o filme funciona como uma espécie de introdução ao combate a uma perigosa organização muito mais complexa do que se esperava... Este não é o filme habitual de 007, cada vez mais os contornos clássicos são substituídos por contornos modernos, que magoam os fãs mais "hard core" e deixam outros cépticos e desapontados... Eu não fiquei muito desapontado, porque a realidade é que Daniel Craig é o melhor Bond de sempre e este estilo até funciona bem com ele. Acreditem como eu, o próximo filme voltará a ter a chama mais glamorosa e charmosa bem acesa!

Dou a este filme,
16/20

Esta crítica pode ser lida na íntegra em O Observador

Ante-Cinema#

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Críticas do Leitor

Aqui está mais uma crítica de um dos leitores do Ante-Cinema. Esta foi escrita pelo Filipe Coutinho (Cinema is my Life), onde é perceptível o seu entusiasmo perante 'Quantum of Solace'. Ao longo desta semana serão apresentadas mais algumas críticas que nos foram enviadas, sendo-se depois apurada a melhor das que foram publicadas. Mais uma vez, obrigado a todos! A crítica do Filipe em baixo.


CRÍTICA:

Nunca James Bond se aproximou tanto de Jason Bourne


O que dizer do mítico James Bond? É, simplesmente, o espião mais conhecido em todo o planeta, seja pela sua coragem, pelo seu aspecto, pela sua personalidade, pelas famosas e estonteantes bond girls, pelas engenhocas de Q, pela frieza de M, pelos carismáticos vilões ou, até, pela digna secretária, Moneypenny, que já não faz parte destas aventuras (a par de Q, de resto). É facilmente perceptível que quarenta e seis anos de história realmente marcam muitas gerações. Independentemente do facto relativo ao gosto pessoal de cada energúmeno, poder-se-á considerar que a saga de James Bond, mais conhecido por 007, é, sem qualquer dúvida, parte integrante da sétima arte. Assim sendo deverá ser respeitada ao invés de ser menosprezada, como acontece muitas vezes. A verdade é que na última década o espectador assistiu a uma clara fase de mudança na saga. Acabaram os confrontos com os russos e alguns vilões "mais impossíveis" e a aposta recaiu em temas mais realistas e, sobretudo, da actualidade. Talvez se possa acusar de alguma falta de magia que caracterizava os primordiais anos de desenvolvimento da saga mas, no entanto, ganhou-se uma nova dimensão representativa dotada de sequências mais vibrantes onde a adrenalina aumenta a cada cena. E assim se chega a "Quantum of Solace". Ou antes, assim se chega a "Casino Royale", o grande e esperado renascimento da série, aclamado por muitos como a melhor fita do espião ao serviço de sua majestade. "Quantum of Solace" apresenta-se como a continuação de uma nova linha de orientação que promete acrescentar valor ao mundo do cinema de acção.

Se se observar com muita atenção este "Quantum of Solace" (título bem aprazível não?) percebe-se que a sua grande fonte de inspiração é o rival Jason Bourne e a sua excelente trilogia de espionagem, sobretudo os dois últimos capítulos dirigidos por Paul Greengrass. Os exemplos que mais facilmente compravam esta dita teoria recaem em aspectos do carácter do novo Bond e no estilo de filmagem que é adoptado. Primeiramente existe um Daniel Craig que revela um excelente combate corpo a corpo, algo que raramente se sucedia na saga e que Bourne sempre fez tão bem. Depois há o facto de que o seu leque bélico cinge-se a uma única arma, cujo tipo varia dependendo da cena. Também este Bond revela-se mais negro do que os antecessores onde motivos como vingança ou busca da verdade são o centro da sua existência exactamente como o mencionado rival. Existe ainda o facto de ambos serem loiros mas estou certo de que essa não passa de uma mera coincidência. Relativamente ao estilo de realização, a de Marc Forster é particularmente idêntica à de Paul Greengrass na medida em que a captação dos planos e as técnicas que propenciam a adrenalina são os mesmos. Note-se que até algumas sequências de acção são claramente inspiradas na perseguição de "Bourne Ultimatum" em Tânger. Por fim, existe a excelente montagem e o estilo que esta incorpora. Estilo de montagem esse que havia dado o Oscar da relativa categoria a "Bourne Ultimatum" na última edição dos prémios mais famosos da indústria. De certa forma há que saber reconhecer o valor de uma obra e foi exactamente isso a equipa deste novo Bond fez, se bem que poderia ter tentado inovar e inventar novas formas de entreter o espectador.

Não obstante estas comprações que são, em tudo, simplistas, poderemos afirmar que "Quantum of Solace" é tão bom quanto o seu antecessor. Em termos narrativos até apresenta uma trama mais complexa e que reflecte alguns pontos interessantes acerca do actual estado do Mundo. De resto, a partir do momento que descobri que Paul Haggis era um dos homens por detrás do argumento, a minha ansiedade aumentou consideravelmente, ou não fosse ele argumentista de obras tão boas quanto "Crash" e "In the Valley of Elah". Os restantes argumentistas dão pelo nome de Neal Purvis e Robert Wade. Do argumento pode-se destacar a sua inteligência, o seu humor fino e a intriga surpreendente. Os diálogos são fluídos e cativantes e as cenas de acção estão bem delineadas. Outros aspectos como a fotografia e a sonoplastia encontram-se a uma fasquia muito elevada tal como a supracitada montagem que acredito que será nomeada para o Oscar correspondente na edição do próximo ano.

A realização de Marc Forster peca pelo facto de ser idêntica à de Paul Greengrass, já que é exímia em todos os outros factores, sobretudo na direcção de actores. Actores esses que oferecem excelentes interpretações. Cada vez mais estou convencido que Daniel Craig é um dos melhores Bond de sempre, pelo que o seu carácter e a sua forte personalidade atribuem um certo misticismo à personagem envolvente. Olga Kurylenko revela-se uma excelente bond girl pelo que associa a beleza aos príncipios fundamentais de femme fatalle. Judi Dench mantém a habitual compostura de uma verdadeira lady enquanto detém uma enorme classe em toda e qualquer participação. Mathieu Almaric interpreta o primordial vilão nesta fita, se bem que não o que detém o posto mais elevado. Não é nenhum Jaws mas os tempos são outros e este adequa-se àqueles que vivemos. O restante cast encontra-se a um nível muito alto, como tem sido hábito na saga. Outro aspecto interessante são as questões político-económicas destacadas, pelo que percebemos até que ponto pode ir a podridão de cada país ou, pelo menos, dos chefes de estado que os representam. Se realmente chegarmos a um ponto (se é que não já lá estamos) onde somos obrigados a negociar com o inimigo, já não existirá volta a dar pelo que caminharemos a passos largos para a auto-destruição. Fica ainda o aviso para os verdadeiros intuitos das instituições ambientais que tanto estão em voga. Em suma, "Quantum of Solace" merece as quatro estrelas pelo que apenas peca por ser demasiado parecido a "Bourne Ultimatum" e pelos cgi desnecessários claramente identificáveis.

A Frase:
"This man and I have some unfinished business. "

Nota: 8/10

Ante-Cinema#

domingo, 16 de novembro de 2008

Críticas do Leitor

O Ante-Cinema dá seguimento a este novo espaço, desta vez, com mais uma crítica de um leitor a 'Quantum of Solace'. Esta foi escrita pelo Jorge Santos, onde pode ser bem visível o seu descontentamento em relação a esta nova aventura de James Bond. A sua crítica em baixo.


CRÍTICA:


O filme começa com uma alucinante perseguição automóvel que me deixou cansado; quando pensava que ia conseguir recuperar o fôlego, eis que começa nova perseguição, esta pedonal e “saltal”, e o meu fôlego quase que se foi.

Pois é, o James Bond do louro e sexy Daniel Craig está de volta, mas ao contrário do interessante CASINO ROYALE (que eu considero um dos melhores filmes da série), desta vez o pequeno passa a vida em excitantes perseguições, não tem tempo para usar o seu charme e no final ficamos com a sensação que o filme quase não tem história. Bond quer vingar-se de quem matou a sua paixão do filme anterior e pelo meio descobre uma conspiração que não parece chegar a lado nenhum.

O realizador Marc Forster, mais habituado a dramas como FINDING NEVERLAND (um dos meus filmes favoritos) e MONSTER’S BALL, parece ter enlouquecido e quis experimentar fazer um filme de super-acção e destruir o maior número de carros possíveis. É verdade, o filme tem algumas boas perseguições, mas estas são tão rápidas (será que sou eu que estou a ficar velho para estas montagens ultra-rápidas?) que é impossível prestar atenção a tudo o que está a acontecer. Falta plausibilidade a toda esta acção e algumas cenas são completamente ridículas (a sequência da ópera), ou demasiado exageradas (o final no hotel do deserto).

Craig é um excelente actor e o seu Bond, frio e violento, mas falta-lhe humor. Como o mau da fita, Mathieu Amalric é uma figura patética e, no confronto final, parece uma mulher histérica (perdoem-me a expressão). Quanto às Bond girls, duvido que alguma fique para a história e o mesmo se pode dizer da terrível canção tema.

Nota: 1,5 em 5

Ante-Cinema#

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Críticas do Leitor

Conforme foi lançado pelo Ante-Cinema, propusemos aos nossos leitores que escrevessem as suas críticas sobre 'Quantum of Solace'. Alguns aceitaram o desafio e as melhores serão agora publicadas nos próximos dias. Esta primeira crítica foi escrita pela Catarina Oliveira (Close-Up), que tem assim honras de abertura neste novo espaço do Ante-Cinema. De acrescentar que ainda se aceitam novas críticas. Se gostavam de ver a vossa aqui publicada, só a têm que enviar para o nosso email: ante.cinema@gmail.com. Obrigado a todos!


CRÍTICA:

"
M: Bond, if you could avoid killing every lead there is, that would be appreciated.

James Bond: I will do my best"

Até à estreia de Casino Royale, em 20 filmes já feitos sobre a saga do super-espião James Bond, talvez tenha visto dois ou três. Sinceramente, nunca foi nada que me puxasse muito interesse, e aquilo que tive oportunidade de ver, também não fez muito para o aumentar.

Pela polémica gerada em torno do novo Bond, não só o novo actor, mas mesmo a nova concepção psicológica do agente secreto, acabei por ceder e dar mais uma oportunidade ao famoso 007. E a verdade é que me surpreendi positivamente. Casino Royale não era nada do que esperava e vi um Bond humano, algo que pouco tinha notado nos filmes anteriores; e compreendi finalmente de onde surgiu e algumas fundações da sua famosa "carapaça" impenetrável.

Assim, foi com alguma naturalidade que fiquei curiosa em relação ao seguimento dos acontecimentos de Casino Royale e assisti ontem à ante-estreia de Quantum of Solace.

Quantum of Solace segue cronologicamente os acontecimentos da fita anterior.
Resumidamente, e perdoem-me a superficialidade desta "sinopse" mas não gosto de arruinar a vossa própria experiência de assistir ao filme, Bond, ainda desiludido com mulher que finalmente o tocou, trava uma interessante batalha psíquica à medida que tenta cumprir a sua nova missão. Muitas vezes confuso entre a sede de vingança e o peso do dever, o nosso 007 embarca numa autêntica jornada pelo mundo fora para desmascarar uma importante e perigosa rede criminosa liderada por Dominic Greene que tem em vista dominar os recursos naturais mais preciosos do planeta.

Depois do que vi em Casino Royale, esperava uma continuação que se apoiasse numa maior profundidade da personalidade de James Bond, esperava uma melhor exploração do sentimento de tristeza/desejo de vingança... no fundo, esperava ser definitivamente "arrebatada" por este reinventado Bond. Infelizmente, não aconteceu.

O "charme britânico" que automaticamente associamos às desventuras de 007 parece também aqui desvanecer-se um pouco entre sequências de acção tecnicamente muito boas mas diálogos muito fracos e superficiais e um argumento a roçar a ambiguidade em algumas situações fulcrais. É que... uma coisa é ter um Bond novo, completamente reinventado; outra coisa é ter um Bond vazio, que no fundo nem sequer é bem um Bond..

Num elenco com preformances medianas, Craig continua a ser um bom e diferente Bond (apesar de ter gostado muito mais de o ver na fita anterior) mas o destaque mais positivo vai para o engenhoso e odiável "vilão" de Mathieu Amalric - Dominic Greene. Judi Dench, talvez porque de facto não tinha muito que fazer, esteve surpreendentemente apagada.

Contudo, estes "desgostares" não me cegaram de aspectos muito positivos dos quais gostaria de destacar três em particular: primeiro, a qualidade e timing perfeito das introduções humorísticas ocasionais, segundo, um guarda-roupa elegantíssimo e de muito gosto em não raros casos e terceiro, uma banda sonora moderna com claras reminiscências "Bondísticas" concordante com as sequências de acção; afinal se temos um novo Bond, só faz sentido os filmes trazerem um novo "ambiance"

Quantum of Solace tem mais de "bom filme" do que de "bom James Bond". Entretém, mas não corresponde às expectativas do antecessor.
Todavia, acredito que Quantum tenha sido uma espécie de "desabafo"...um filme mediano de transição, e que a próxima aventura de Bond será tão ou mais surpreendente que o espectacular Casino Royale, e, acima de tudo, que haja mais homem no agente... mais James em Bond.

Nota: 6.5/10

Esta crítica pode ser lida na íntrega em Close-Up

Ante-Cinema#