segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Críticas do Leitor

Aqui está mais uma crítica de um dos leitores do Ante-Cinema. Esta foi escrita pelo Filipe Coutinho (Cinema is my Life), onde é perceptível o seu entusiasmo perante 'Quantum of Solace'. Ao longo desta semana serão apresentadas mais algumas críticas que nos foram enviadas, sendo-se depois apurada a melhor das que foram publicadas. Mais uma vez, obrigado a todos! A crítica do Filipe em baixo.


CRÍTICA:

Nunca James Bond se aproximou tanto de Jason Bourne


O que dizer do mítico James Bond? É, simplesmente, o espião mais conhecido em todo o planeta, seja pela sua coragem, pelo seu aspecto, pela sua personalidade, pelas famosas e estonteantes bond girls, pelas engenhocas de Q, pela frieza de M, pelos carismáticos vilões ou, até, pela digna secretária, Moneypenny, que já não faz parte destas aventuras (a par de Q, de resto). É facilmente perceptível que quarenta e seis anos de história realmente marcam muitas gerações. Independentemente do facto relativo ao gosto pessoal de cada energúmeno, poder-se-á considerar que a saga de James Bond, mais conhecido por 007, é, sem qualquer dúvida, parte integrante da sétima arte. Assim sendo deverá ser respeitada ao invés de ser menosprezada, como acontece muitas vezes. A verdade é que na última década o espectador assistiu a uma clara fase de mudança na saga. Acabaram os confrontos com os russos e alguns vilões "mais impossíveis" e a aposta recaiu em temas mais realistas e, sobretudo, da actualidade. Talvez se possa acusar de alguma falta de magia que caracterizava os primordiais anos de desenvolvimento da saga mas, no entanto, ganhou-se uma nova dimensão representativa dotada de sequências mais vibrantes onde a adrenalina aumenta a cada cena. E assim se chega a "Quantum of Solace". Ou antes, assim se chega a "Casino Royale", o grande e esperado renascimento da série, aclamado por muitos como a melhor fita do espião ao serviço de sua majestade. "Quantum of Solace" apresenta-se como a continuação de uma nova linha de orientação que promete acrescentar valor ao mundo do cinema de acção.

Se se observar com muita atenção este "Quantum of Solace" (título bem aprazível não?) percebe-se que a sua grande fonte de inspiração é o rival Jason Bourne e a sua excelente trilogia de espionagem, sobretudo os dois últimos capítulos dirigidos por Paul Greengrass. Os exemplos que mais facilmente compravam esta dita teoria recaem em aspectos do carácter do novo Bond e no estilo de filmagem que é adoptado. Primeiramente existe um Daniel Craig que revela um excelente combate corpo a corpo, algo que raramente se sucedia na saga e que Bourne sempre fez tão bem. Depois há o facto de que o seu leque bélico cinge-se a uma única arma, cujo tipo varia dependendo da cena. Também este Bond revela-se mais negro do que os antecessores onde motivos como vingança ou busca da verdade são o centro da sua existência exactamente como o mencionado rival. Existe ainda o facto de ambos serem loiros mas estou certo de que essa não passa de uma mera coincidência. Relativamente ao estilo de realização, a de Marc Forster é particularmente idêntica à de Paul Greengrass na medida em que a captação dos planos e as técnicas que propenciam a adrenalina são os mesmos. Note-se que até algumas sequências de acção são claramente inspiradas na perseguição de "Bourne Ultimatum" em Tânger. Por fim, existe a excelente montagem e o estilo que esta incorpora. Estilo de montagem esse que havia dado o Oscar da relativa categoria a "Bourne Ultimatum" na última edição dos prémios mais famosos da indústria. De certa forma há que saber reconhecer o valor de uma obra e foi exactamente isso a equipa deste novo Bond fez, se bem que poderia ter tentado inovar e inventar novas formas de entreter o espectador.

Não obstante estas comprações que são, em tudo, simplistas, poderemos afirmar que "Quantum of Solace" é tão bom quanto o seu antecessor. Em termos narrativos até apresenta uma trama mais complexa e que reflecte alguns pontos interessantes acerca do actual estado do Mundo. De resto, a partir do momento que descobri que Paul Haggis era um dos homens por detrás do argumento, a minha ansiedade aumentou consideravelmente, ou não fosse ele argumentista de obras tão boas quanto "Crash" e "In the Valley of Elah". Os restantes argumentistas dão pelo nome de Neal Purvis e Robert Wade. Do argumento pode-se destacar a sua inteligência, o seu humor fino e a intriga surpreendente. Os diálogos são fluídos e cativantes e as cenas de acção estão bem delineadas. Outros aspectos como a fotografia e a sonoplastia encontram-se a uma fasquia muito elevada tal como a supracitada montagem que acredito que será nomeada para o Oscar correspondente na edição do próximo ano.

A realização de Marc Forster peca pelo facto de ser idêntica à de Paul Greengrass, já que é exímia em todos os outros factores, sobretudo na direcção de actores. Actores esses que oferecem excelentes interpretações. Cada vez mais estou convencido que Daniel Craig é um dos melhores Bond de sempre, pelo que o seu carácter e a sua forte personalidade atribuem um certo misticismo à personagem envolvente. Olga Kurylenko revela-se uma excelente bond girl pelo que associa a beleza aos príncipios fundamentais de femme fatalle. Judi Dench mantém a habitual compostura de uma verdadeira lady enquanto detém uma enorme classe em toda e qualquer participação. Mathieu Almaric interpreta o primordial vilão nesta fita, se bem que não o que detém o posto mais elevado. Não é nenhum Jaws mas os tempos são outros e este adequa-se àqueles que vivemos. O restante cast encontra-se a um nível muito alto, como tem sido hábito na saga. Outro aspecto interessante são as questões político-económicas destacadas, pelo que percebemos até que ponto pode ir a podridão de cada país ou, pelo menos, dos chefes de estado que os representam. Se realmente chegarmos a um ponto (se é que não já lá estamos) onde somos obrigados a negociar com o inimigo, já não existirá volta a dar pelo que caminharemos a passos largos para a auto-destruição. Fica ainda o aviso para os verdadeiros intuitos das instituições ambientais que tanto estão em voga. Em suma, "Quantum of Solace" merece as quatro estrelas pelo que apenas peca por ser demasiado parecido a "Bourne Ultimatum" e pelos cgi desnecessários claramente identificáveis.

A Frase:
"This man and I have some unfinished business. "

Nota: 8/10

Ante-Cinema#

2 comentários:

Fifeco disse...

Eh eh,

Obrigado pelo destaque da crítica e parabéns pela iniciativa que é não só original, como muito boa.

Abraço

Fernando Ribeiro disse...

Fifeco,

Eu é que agradeço por teres disponibilizado a tua excelente crítica. Quanto a este novo espaço, ele foi pensado para todos vocês porque merecem todo o destaque do vosso excelente trabalho. Espero que esta iniciativa vos agrade a todos!

Abraço e obrigado!