terça-feira, 9 de setembro de 2008

As Estrelas do Cinema de Animação - Parte I

FELIX THE CAT

por Fernando Ribeiro

Criado por Otto Messmer, esta personagem que surge dentro do cinema mudo, é a primeira a receber o estatuto de estrela dentro do meio cinematográfico. Originalmente, Felix the Cat surgiu em 1910 na revista "Feline Follies", mas rapidamente, Messmer tinha outros planos para esta caricata personagem. Joe Oriolo juntou-se assim a Messmar, e começaram os dois a trabalhar intensamente na personagem. Depois de todo o trabalho e esforço do seu criador em aperfeiçoá-lo, eis que o produtor John King baptiza este gato de Felix. Isto porque ele apreciava todo o contraste existente à volta dos termos felino e "felicity". Depois, ao fim de contas era um gato preto, e toda a gente associa um gato preto ao azar ou à má sorte, e isso era exactamente o oposto desta personagem. Felix the Cat era uma criatura que trazia sorte a todos os que estavam com problemas. Todo este contraste associado à palavra Felix, dava assim ao mesmo tempo, uma sintonia empolgante e caricata.
Sendo assim, Felix the Cat surge pela primeira vez no cinema em 1919 (ainda cinema mudo) no episódio chamado "Feline Follies". Mas o verdadeiro nome ainda não tinha surgido aqui. Só no seu filme posterior, "Musical News" é que o nome Felix apareceu, tendo apenas direito a usar esse nome num título dos seus filmes, apenas em "The Adventures of Felix". De anotar, que todos estes filmes surgiram no mesmo ano, ou seja, em 1919. O sucesso foi então tanto, bem como imediato, que em 1921, Pat Sullivan se associou a M. J. Wrinkler na distribuição pelo mundo inteiro de Felix the Cat. O sucesso estava então garantido e tinha tudo para ser uma estrela. E de facto foi o que aconteceu. Uma nova estrela chegou ao cinema, e acima de tudo, capaz de chegar ao ponto de superar estrelas da altura como Buster Keaton ou Charles Chaplin.Felix the Cat não chegou assim ao estrelato por mero acaso. Ele era realmente uma personagem bastante bem construída, e a sua animação possuía um grafismo e uma forma de transmitir as ideias e pensamentos, como nenhum filme hoje consegue transmitir. E isto é muito simples de explicar. Na era do cinema mudo, tudo funcionava à volta das expressões. Os filmes tinham que ser bastante expressivos para haver a sintonia com o público. Esta personagem, para além de usar de forma bastante criativa essa expressividade, é uma personagem simpática e que faz qualquer pessoa gostar dela. E é aqui na expressividade que reside a grande diferença em relação a todas as outras estrelas do cinema de animação. Não é à toa que o Mickey Mouse não tinha o carisma que tem agora, antes do surgimento do som. Foi completamente renegado na era do cinema mudo, sendo salvo pelo próprio aparecimento do som, que lhe deu assim o estatuto que ele ainda hoje tem junto de todos. Felix the Cat tem assim algo que os outros nunca conseguiram ter. O grau de expressividade nos seus filmes era tão grande, que só para especificar algumas ocasiões, num dos seus filmes quando Felix teve uma dúvida, surgiu um ponto de interrogação, e posteriormente, esse serviu como chave para abrir uma porta. Outro, por exemplo, foi quando no filme "Felix in Hollywood", na sua primeira tentativa de ir com o seu dono para Hollywood, este se tornou numa bengala para enganá-lo. Tudo isto faz com que a personagem seja bastante caricata e chame a atenção das pessoas.
Sendo chamado muitas vezes de Charles Chaplin (isto porque Chaplin também era bastante expressivo e também porque Felix o imitou em "Felix in Hollywood"), Felix the Cat foi considerado um grande astro do cinema, mais propriamente durante os anos 20. Foi então o grande pioneiro do estrelato em personagens no cinema de animação. Em baixo fica o filme de 1923 "Felix in Hollywood".



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