quarta-feira, 25 de junho de 2008

Crítica - Into the Wild

por Filipe Coutinho
(Na íntegra também em "Cinema is my Life")

Nota:
Aquele que podia ser o melhor filme da minha vida se tivesse visto numa sala de cinema não é. E tudo isto porque a Lusomundo optou por não adquirir os direitos desta fita e, tendo em conta que esta é responsável pela grande maioria de salas que figuram no nosso país, o acesso ao filme tornou-se bastante difícil e revelou-se, para mim, uma das maiores perdas a nível cinematográfico. Assim sendo "Into the Wild" é só um dos melhores filmes da minha vida e, certamente, terá lugar no meu top 10 durante anos e anos e anos e anos e anos... Apenas refiro esta distinção entre a visualização no cinema e em casa porque, para mim, é extremamente significativa. A magia oferecida pela sétima arte em uma sala é qualquer coisa fenomenal aquando do filme certo. E este era definitivamente o filme certo.

"Into the Wild" é uma adaptação do livro Jon Krakauer que conta a história do recém-formado Crhistopher McCandeless, um jovem atleta e detentor de notas excelentes com um espírito extremamente aventureiro que um dia decide dar todas as suas poupanças à caridade com o intuito de ir viver onde se sente melhor: no meio da natureza longe das grandes povoações. Nascido em um berço-de-ouro, cedo nutre um ódio pelos pais, juntamente com a sua irmã, devido à forma como vivem uma vida recheada de ilusões e materialismos. A jornada pelo seu destino final, o Alasca, começa com uma nova identidade, Alex Supertramp, começando também uma viagem marcante recheada das mais distintas personagens que o ensinam o melhor e o mais simples da vida, desde o valor sentimentos até à necessidade de partilhar a felicidade.

O que Sean Penn conseguiu aqui foi um trabalho perfeito. Sim, utilizo mesmo o termo perfeito pois ele não existe. Mas dentro do que é, na minha óptica, a perfeição, ou seja, o melhor possível com virtudes e defeitos, a fita realizada por Penn é perfeita. E o trabalho deste por detrás das câmaras é fabuloso, desde a captação das maravilhosas paisagens até à concepção de um ideal literário transformando-o em um primoroso deleite visual. Seria injusto falar apenas do realizador quando um jovem actor tem uma interpretação do tamanho do mundo. Emile Hirsch é simplesmente genial desde o primeiro momento em que aprece no ecrã. O realismo com que enfrenta cada situação, o sentimentalismo por ele emanado, a alegria e a tristeza são todos tão brilhantemente verídicos que parece estarmos a assistir à vida real do próprio McCandless sem este saber que está a ser filmado. Pode parecer uma comparação incredível, mas não o é. A fita fala por si. Depois há o restante elenco secundário que, verdade seja dita, é soberbo. Todas as personagens que, à sua maneira, marcam o jovem Crhis são brilhantemente interpretadas por jovens, adultos e idosos actores. A riqueza cultural transmitida por cada uma das gerações é extremamente realista e honesta em performances que vão desde Kirsten Stewart, passando por Vince Vaughn e terminando em um ternurento Hal Holbrook que, de resto, foi nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário na mais recente cerimónia. Também os pais do jovem aventureiro, interpretados por Marcia Gay Harden e William Hurt, apresentam uma performance crua dotada de uma amargura realista e tocante.

Depois existem as paisagens. Essas paisagens que tiram o fôlego a qualquer individuo e que nos fazem sonhar e desejar estar perante tamanhas belezas naturais. Sinceramente, escasseiam-me as palavras no que toca à descrição desta fita muito por culpa das mais belas imagens que já visualizei em um filme. Também a ironia da vida que é conhecida e usualmente referenciada está presente na fita. Desta feita, foi a natureza que deu a vida a McCandless e foi a natureza que lha tirou. Era nela que este ia captar toda a sua energia, toda a sua força, toda a sua felicidade. Realmente é notável que esta história tenha, de facto existido. Honestamente gostava de ter a coragem para fazer tal coisa, mas a verdade é que não o conseguiria pois preciso de gente à minha volta, preciso de algum materialismo, preciso de estar na sociedade independentemente do quão má ela seja. Mas em uma coisa eu concordo, a natureza é realmente algo de extraordinariamente belo e, de facto, transmite energia revitalizante. Em termos artísticos, "Into the Wild" é sublime, começando, precisamente, na banda sonora inteiramente realizada para esta fita pelo amigo de longa data de Penn, Eddie Vedder (vocalista dos Pearl Jam). Cada canção parece enquadrar-se genialmente a cada frame e aumenta exponencialmente a intensidade e carga dramática. Depois ainda há uma fotografia concebida com a maior das mestrias que, apenas visualizando o filme, se poderá ter uma noção do quão tecnicamente apurada é.

Confesso que quando penso em "Into the Wild" as palavras falham-me, a poesia já não corre em letras. Apenas em imagens. Imagens essas que apenas podem ser vistas no filme. Imagens de rara beleza que marcam a paixão de um homem pela natureza, pela vida emanada em cada poro de cada planta, de cada árvore, pelo sopro de cada animal, pelo correr de um rio em direcção ao infinito, pelo desejo de se ausentar de um mundo materialista e consumista, pela exploração, pelo conhecimento, pela riqueza espiritual, enfim, pelo desejo em tornar-se um homem. Não um homem qualquer. Um homem que sabia o que é a vida e que molde os seus valores através do valor da verdade e daquilo que realmente é importante ao longo da nossa existência.

Um filme tão belo e tocante merece, e digo isto sem qualquer hesitação, a nota máxima, ou seja, 10/10 ou cinco estrelas em cinco possíveis. Uma fita tão bem conseguída quanto esta merecia maior distinção e reconhecimento mas, certamente, qualquer amante do cinema não passará ao lado desta obra que até me comoveu em diversas ocasiões. Única e obrigatória.

A frase:
"Some people feel like they don't deserve love. They walk away quietly into empty spaces, trying to close the gaps of the past."



Cinematograficamente Falando - 10/10: "[Into the wild]É uma adaptação da condição humana a um meio ambiente que já não lhe pertence. Cada frame apresenta um rigor técnico invejável e Penn mostra que além de ser um talentoso actor é um promissor realizador

Ante-Cinema# / Cinema is my Life

6 comentários:

Isabela disse...

Um filme nota dez em todos os quesitos. Destaque para o Emile Hirsch e para a trilha sonora.

Fernando Ribeiro disse...

Isabela,

Concordo contigo. E pelos vistos, com o Filipe também =)

Tiago Gomes disse...

É sem dúvida um filme que quero ver, até pelo respeito que tenho pela obra desse grande cineasta - Sean Penn - talvez o melhor actor da sua geração e também um bom realizador (gostei do "the Pledge"), ainda com o acrescento da música ser de Eddie Vedder e ser parte integrante do filme.
Esta crítica ainda me agusou mais a curiosidade.

Fernando Ribeiro disse...

Tiago,

Aconselho-te vivamente a veres este filme de Sean Penn. Apesar de não ter estado nas nossas salas de cinema, vê-se que tem ganho muitos adeptos um pouco por toda a parte.

João disse...

Acabei de ver. Não resisti e tive de fazer uma pesquisa na net, para saber o que se escreve acerca do filme. Acabei aqui neste post e achei curiosa uma passagem do texto em que referes que o Sean Penn parece ter captado o personagem quase sem ele se aperceber. E quando li esta parte recordei logo a cena em que Emile Hirsch come a maça e faz um gesto para a câmera. É um filme delicioso, repleto de pormenores, e a banda sonora (Eddie Vedder) não me sai da cabeça!!A ver novamente...

Unknown disse...

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