sábado, 7 de fevereiro de 2009

Mandylord of the Movies - Para ver ou rever: This Is Spinal Tap (1984)

Resolvi aderir a esta nova febre dos jogos simuladores de guitarras eléctricas. Não que esteja muito disposto a gastar dinheiro no Guitar Hero e nas suas "violas" de plástico (contra os concelhos da facção mais consumista da minha personalidade), mas com o gratuito Frets on Fire no meu PC, contento-me perfeitamente a rockar com o meu teclado wireless na minha bela cadeira reclinável. Consegui neste passado fim-de-semana instalar uma expansão (o Rock Band 2) que permite as mesmas funcionalidades do GH e deste modo consigo tocar todas as músicas que desejar. Ora, no meio de vários packs de músicas que arranjei, veio uma pequena pérola chamada "Tonight I’m Gonna Rock You Tonight" dos Spinal Tap, a semi-fictícia banda de heavy metal criada por Rob Reiner para o seu mockumentary This Is Spinal Tap.
Deste modo, resolvi ver um filme de culto que há muito desejava. Para quem não está a par, Reiner e os actores Michael McKean, Christopher Guest e Harry Shearer (os membros da banda) conceberam este filme como uma comédia/documentário sobre uma banda de rock n' roll inglesa em decadência. O efeito "documentário" foi levado tão a sério que algumas pessoas, ao verem o filme, pensaram que este era mesmo real e a banda existia verdadeiramente. Isto levou a subsequentes reuniões, concertos e discos por parte do grupo.

O filme relata documentalmente uma digressão nos EUA da mítica banda das terras de "Sua Majestade" após vários anos de ausência para celebrar o lançamento do seu novo álbum "Smell The Glove" nesse país. Marty DiBergi (Reiner) é o realizador que documenta o evento, e ao longo de hora e meia vemos todos os conflitos que atravessam a banda, desde divergências criativas a falhas técnicas nos concertos.

Tenho de confessar que este género de comédia documental, que não é propriamente ao gosto de todos, é uma das minhas preferidas. Eu prefiro um humor mais realista do que comédias com situações espalhafatosas. Conseguir isso não é nada fácil e há poucos que o fizeram com sucesso. O grupo de Judd Apatow, fazendo filmes bem diferentes deste, teve a proeza de devolver algum realismo e alma às comédias. Contudo, há sempre situações onde há desvios nas suas rotas que acabam sempre por me estragar a experiência dos seus filmes. Por exemplo, odiei a sequência no Superbad em que o rapaz explica a sua necessidade traumática quando era miúdo em desenhar pénis em tudo quanto era sitio. Achei que era exagerado e sem piada.Não se enganem, aqui também há piadas sexuais e misóginas. Elas são, no entanto, transmitidas por um ignorante trio de rockstars, afogados em drogas e sexo, que estão perfeitamente há nora do quão simplistas e sexistas são as suas músicas e porque razão a sua digressão nos EUA é um fiasco. É isto que funciona em Spinal Tap. Nada chega ao ridículo pois o filme é uma verdadeira homenagem às bandas do género. A capacidade de nos fazer acreditar que todas as peripécias que acontecem à banda podiam realmente acontecer e, mesmo assim, terem piada, é o verdadeiro triunfo do filme. Com isto, o filme torna-se numa espécie de documentário em geral sobre as bandas do género. Não há melhor testamento disso do que as palavras de Eddie Van Halen sobre o filme: "Everything in that movie had happened to me".

Mas o resultado final não funcionaria se os protagonistas não resultassem. David St. Hubbins (McKean), Nigel "Tuffy" Tufnel (Guest) e Derek Smalls (Shearer) conseguiram transcender o próprio filme e tornaram-se figuras míticas do entretenimento. Hubbins e Tufnel são os "génios" da banda, os amigos de infância inseparáveis, que são, ao mesmo tempo a alma do grupo e do filme. O desgaste no seu relacionamento devido à aparição e intromissão nos assuntos da banda por parte da namorada de Hubbins é consequente com o crescente insucesso da digressão. Tufnel, inconsequentemente de ser burro que nem uma porta, acaba por ser aquele com quem mais afinidade sentimos pelo seu desejo de se ver livre da namorada de Hubbins e devolver harmonia à banda. Hubbins conquista-nos com a sua ingenuidade e incapacidade de perceber o conflito que está a causar à banda. Smells, como o mediador entre as outras duas mentes criativas, é o Cristo da maioria das situações que acontecem à banda.

Os três actores americanos merecem todos os elogios pelo sucesso em criar as suas extremamente britânicas personagens e Reiner por ter conseguido dar voz a todas as bandas de Rock n’ Roll do mundo.

Agora, de volta ao Rockband!

Nota Mandylor:
8/10


O Melhor: O filme consegue ser um espelho cómico sobre todas as bandas de Rock n’ Roll.

O Pior: O seu humor subtil não agradará a todos. Mas isso é a sina de todas as comédias.



Costas Mandylor
Ante-Cinema#

3 comentários:

The movie_man disse...

Ora aqui está um filme que sempre quis ver mas nunca tive oportunidade. E agora tenho mais um motivo para o fazer. A ver se o apanho algures.

Abraços.

Nuno Cargaleiro disse...

Qdo é que o ante-cinema tem um twitter?... olha que o festival Black & White poderia ficar ainda mais divulgado com isso!

Fernando Ribeiro disse...

The_movie_man,

Ainda bem que o nosso amigo Costas Mandylor fez questão de te lembrar. :)

Abraço.


Nuno Cargaleiro,

O Twitter tem sido muito falado. Ainda tenho que ver como funciona mesmo isso porque ainda ando um bocado a leste quanto a esse novo "fenómeno". Mas prometo que irei estar atento e quem sabe se não está para breve... E obrigado pela tua sugestão e comentário. :)

Abraço.