quinta-feira, 5 de março de 2009

Mandylord of the Movies: Ainda sobre os Óscares...

Que tal esses Óscares? Aposto que os corajosos que viram a cerimónia estiveram até às tantas, sozinhos em casa, a ver tudo numa caixa minúscula. Pois eu, Costas Mandylor, estrela internacional do cinema, figura maior do franchise SAW, estive rodeado pelas mulheres mais bonitas, a comida mais saborosa, as bebidas mais sofisticadas e... as cadeiras mais reclináveis. Isso. Adivinharam. Estive na Gala dos Óscares do Centro Comercial Parque Nascente em Gondomar.

O que achei do evento? Primeira observação: Hugh Jackman bem podia apresentar os Óscares até ao fim da sua carreira que se sairia melhor do que qualquer filme que tenha feito. Ele canta, ele dança, faz tudo ao mesmo tempo e ainda lança umas piadas. Dêem uma estatueta ao homem. Ele fez aquilo tudo em directo e não vacilou. Os meus parabéns à Academia e ao coreógrafo de serviço Baz Luhrmann, por terem devolvido a classe que há muito parecia estar ausente da cerimónia. Os Óscares são a grande gala de Hollywood e o novo formato conseguiu capturar essa ideia. Contudo, os intervalos de cinco em cinco minutos continuam a deixar-me possesso, mas não sei se a culpa é da organização ou do canal que transmite. Acho que é essa a principal causa da sua gradual quebra de audiências. Uns três intervalos bastavam. O tempo que se poupava só favorecia todos.Passando á frente. Começo a pensar que cada aparição de Ben Stiller nos Óscares é um evento por si só. Mais uma vez, a sua presença a ridicularizar o actualmente muito estranho Joaquin Phoenix, foi o momento da noite. O sketch de Seth Rogen e James Franco também foi memorável.

Por último, no que toca à organização, gostei desta nova forma de apresentar as categorias de representação e da homenagem às personalidades que o cinema perdeu durante o ano, acompanhadas por uma canção de Queen Latifah. Acho que ambas correram bem.

Passando aos prémios em questão. Em geral não houve muitas surpresas. O exagero de cerimónias de prémios que existem está a estragar os Óscares. Os mil círculos de críticos, as várias guildas e por aí em diante, tiram a imprevisibilidade à cerimónia. Alguma coisa tem que ser feita ou é a "grande celebração do cinema" que sofre.

Slumdog Millionaire é o filme do ano. Não dá hipótese por isso nem vale a pena discutir. David Fincher, pelo virtuosismo técnico do seu filme, tinha algumas hipóteses de ganhar a Melhor Realização mas Danny Boyle apaixonou todos com o seu filme.
Passando de lado as categorias técnicas, justamente atribuídas, a primeira desilusão foi com os argumentos. Mais uma vez, nada a dizer com Slumdog Millionaire como Melhor Argumento Adaptado mas, causa-me confusão que Milk, um filme baseado em factos verídicos, seja premiado pela originalidade do seu argumento.

Quando se chegou à categoria de Melhor Actor Principal, algo me dizia que Sean Penn ia ganhar. Tanto a sua interpretação como a de Mickey Rourke são excelentes mas este último era favorito por ainda não ter ganho a estatueta e ter a aura de retornado. Contudo, sabendo que sempre, e eu digo sempre, existe uma surpresa nas categorias de interpretação e tendo os favoritíssimos Heath Ledger (iupi!), Penélope Cruz e Kate Winslet levado para casa o troféu nas suas respectivas categorias, estava certo que era Rourke quem ia perder. Não posso dizer que é muito injusto. Sean Penn é Sean Penn. Mas teria sido agradável que o "wrestler", após uma longa travessia no deserto, tivesse ganho. Pode ser que o facto de não ter ganho motive Rourke a fortalecer a sua carreira.

Para acabar, não estava à espera que o Departures ganhasse para Melhor Filme de Língua Não Inglesa. O filme era-me totalmente desconhecido mas a Academia sempre gosta de escolher filmes originais para a categoria, isto é, que não tenham vencido nos grandes festivais europeus.

E esta foi a minha revisão dos Óscares. Como tenho muito tempo livre, passei a segunda-feira toda a dormir e só me levantei da cama no dia seguinte. É que ao contrário dos comuns, gente importante tem que se manter bela....

Ante-Cinema#

2 comentários:

close-up disse...

ehe bela revisão sucinta de uma noite agradável.

pois ver os oscars assim não é para quem quer é para quem pode ehee:P

quanto a cerimonia...boas surpresas no esqueleto da mesma. hugh jackman, como bem disseste, excelente (gostava de o voltar a ver no papel no futuro, talvez em settings diferentes pondo a prova a imaginação da academia). os apresentadores convidados foram, em geralmuito bem escolhidos e divertidos!

quanto aos premios em si partilhamos exactamente as mesmas "surpresas". nao sendo injusto o premio de sean penn tem um sabor amargo, bem como o de filme estrangeiro, no qual apoiava incondicionalmente o espectacular waltz with bashir...mas...anyway, grande noite ;)

Roberto F. A. Simões disse...

Excelente artigo. Parabéns.

Foi uma grande noite, apesar de este ano o sono me ter aliciado bem mais do que nos outros anos. Não por causa da cerimónia, certamente. Mas senti saudade dos sketches de Billy Christal ou do aspirador da Ellen. Enfim...

Não percebi porque te faz confusão o prémio de argumento original para um argumento que se baseia em factos verídicos. Não tem nada a ver necessariamente :)

Cumps.

Roberto F. A. Simões
CINEROAD